quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

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Lula propõe a Obama que Brasil coordene a ajuda no Haiti

De acordo com Lula, Obama concordou com a ideia e se comprometeu a conversar com o ex-presidente Bill Clinton




O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (13) que propôs ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que o Brasil coordene o trabalho de ajuda humanitária ao Haiti. A ideia de Lula é fazer com que os recursos dos países doares cheguem mais rápido ao país caribenho atingido terça-feira (12) por um grande terremoto.

“Propus ao presidente Obama que o Brasil está disposto a participar, junto com os Estados Unidos e a [Organizações da Nações Unidas] ONU, na coordenação de uma reunião dos países doadores para que possa agilizar logo o que for necessário de recursos para recuperar o Haiti”, disse Lula logo após falar, por telefone, com o presidente dos Estados Unidos.

De acordo com Lula, Obama concordou com a ideia e se comprometeu a conversar com o ex-presidente Bill Clinton para discutir o assunto. “Ele (Obama) não só concordou, como disse que vai ter uma reunião com ex-presidente Bill Clinton, que é o homem da ONU para o Haiti e que depois o ministro Celson Amorim e a secretária Hilary Clinton vão conversar e, se for preciso, eu e o Obama vamos sentar e conversar".

O presidente informou que deve chegar ainda esta noite ao Haiti um avião Hércules da Força Aérea Brasileira (FAB) com medicamentos e 14 toneladas de alimentos. Amanhã, disse Lula, vai decolar um outro avião 707 com 50 bombeiros, 30 do Rio e 20 de Brasília, com cães farejadores para ajudar no resgates dos sobreviventes ou mesmo dos corpos, além de levar água é mais medicamentos.

Lula disse ainda que com a chegada do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e de outros embaixadores ao Haiti a comunicação com país destruido pelo terremoto deve ser mais eficaz e a ajuda humanitária também será faciltada.

“Estamos esperando que, a partir da chegada do Jobim por lá e do nosso embaixador, possamos ter contato direto com autoridades do Haiti, com o comando da Minustah e a gente possa ter informações mais precisas e saber que tipo de ajuda pode dar para o Haiti”, afirmou Lula.

O presidente disse que tentou durante todo o dia falar com o presidente haitiano, René Préval, mas não conseguiu devido a dificuldade de comunicação após os abalos sísmicos.

Ajuda começa a chegar ao Haiti



As primeiras equipes de ajuda humanitária começam a chegar ao Haiti. As ruas da capital, Port-au-Prince, começam a ficar silenciosas, 30 horas depois do sismo de grau 7 que atingiu a região.


“Não se ouve um ruído, só há silêncio”, declarou a jornalista Mariana Palavra à agência Lusa.

A jornalista de 31 que trabalha para a rádio das Nações Unidas no Haiti, diz que se encontra actualmente na base logística da ONU situada junto ao aeroporto da capital do Haiti, depois de ter conseguido abandonar a sede da organização, 'a única parte do edifício que se manteve de pé'.


'Já fui a uma das zonas mais afectadas. Há construções no chão, mas já não se ouve nada e isso significa alguma coisa', relatou, numa alusão ao facto de, nas horas posteriores ao sismo, 'ouvirem-se gritos por toda a cidade' e, depois, 'cânticos religiosos'.

De acordo com o relato de Mariana Palavra, os corpos das vítimas continuam “espalhados pelas ruas” de Port-au-Prince.

'Existem pessoas sem tratamento médico no meio da rua. Os mortos continuam espalhados, uns em cima dos outros. Não há meios para recolher os cadáveres', relatou, recordando que no Haiti não existem equipas de bombeiros e que as únicas ambulâncias existentes pertencem às Organizações Não Governamentais (ONG) que se encontram naquele país. A jornalista acrescenta ainda que os poucos meios existentes estão concentrados nos escombros do Palácio Nacional, onde se 'presume que estejam soterrados três ministros'.

Entretanto, alguns grupos privados começaram já a 'distribuir tendas e mantas' entre os sobreviventes que se encontram 'a viver nas ruas', uma iniciativa de um grupo de pessoas que está a recorrer às redes sociais da Internet para pedir ajuda.

'Vários aviões com ajuda humanitária aterraram hoje [quinta-feira], sobretudo franceses e chineses, com comida e cães para detectar as pessoas soterradas'.

A quase ausência de assistência médica e de comida é outro dos problemas que afecta os sobreviventes do sismo, uma situação que levou as autoridades do país a recear o aparecimento da instabilidade social motivada pela fome. Ainda assim, Mariana Palavra afirma 'não existirem pilhagens'.

Questionada sobre o número perspectivado de vítimas mortais, a portuguesa sublinhou ser 'muito difícil' avançar com dados.

'Não vejo muitos meios no terreno para poder ter uma perspectiva mais ou menos real do número de vítimas', declarou, acrescetando ainda que a população, depois do 'susto e choque inicial', está agora numa fase em que se questiona sobre o ”porquê disto ter acontecido outra vez'.

'Em 2009, os indicadores eram favoráveis para o país, o número de afectados pela insegurança alimentar tinha diminuído. Para este ano, estavam previstas as eleições legislativas, em Fevereiro, e as presidenciais, no final do ano. Por isso, o pensamento geral dos haitianos com quem falei foi: Porquê? É o voltar à estaca zero', disse, recordando que em 2008 ocorreram naquele país dois sismos, que 'provocaram milhares de mortos'.

Apesar do clima de terror que se vive no país depois da catástrofe, a jornalista portuguesa afirma que irá permanecer no Haiti para saber o que aconteceu aos amigos e porque não faz sentido sair numa altura em que 'os haitianos mais precisam de ajuda'.

'A contribuição será mínima, mas é importante que eles sintam que não estão sós', frisou.

 
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